Mocho Indie Studio

Da paixão aos pixels

Autor: Cristian Mocho

Luci: A Luz do Amor

Tudo tem um começo

Luci (ou Lucy, em Inglês)

Luci: A luz do Amor (ou, na versão em Inglês a ser lançada no próximo ano, Lucy Lovelight) é o nosso principal projeto aqui do estúdio. O projeto que deu origem ao estúdio, o que me inspirou, o começou tudo. Sem este projeto, talvez não houvesse Mocho Indie Studio, ou ao menos eu não teria a inspiração ou motivo para iniciar um game studio a esta altura da minha vida.

Eu trabalho há muitos anos como engenheiro de software. Com 25 anos de experiência na indústria de software, tive o privilégio de trabalhar com empresas incríveis e pelo mundo todo: Brasil, Portugal (claro), Irlanda, Reino Unido, França, Alemanha, Espanha e Noruega. Até para Lituânia já fui, convidado pela empresa para fazer parte da festa de fim de ano, uma honra e memórias que guardo com grande carinho até hoje.

Selfie no topo do hotel Radisson Blu, centro de Vilnius

Brasil

"Vida de imigrante não é facil", dizem. Mas a vida do brasileiro também não é. E a minha nunca foi diferente, apesar de eu ter tido a sorte de sempre poder escolher meus contratos. Por isso, mas não só, decidi emigrar com minha família, como muitas outras famílias já fizeram e fazem até hoje. Meu avô, português de nascimento, emigrou para o Brasil nos anos 40, anos difíceis para Portugal, durante a ditadura de Salazar. Muitos portugueses seguiram o mesmo caminho. Mas o processo já acontecia desde meados do século XIX e a década de 1930, quando se deu a maior entrada de imigrantes espontâneos no Brasil. Portugueses, italianos, japoneses, alemães e árabes (sírios, turcos, egípcios, palestinos) foram os principais grupos de imigrantes que entraram no país nesse período.

Mas já tô aqui dissertando sobre outros assuntos... 🤣🤣🤣

O fato é que, para mim, eu achava que teria melhores oportunidades de trabalho se mudasse para Europa, assim como também garantiria um futuro muito melhor para minha família. E em 11 de Julho de 2015 tomei o passo mais importante da minha vida, um passo que me traria inevitavelmente aonde estou hoje.

Evolução dos trabalhos

Minha primeira bandeira de Portugal

Instalado em Portugal, na cidade de Braga - curiosamente nossa SEGUNDA escolha, tendo sido a primeira Porto! - comecei imediatamente a trabalhar por contrato. Já não havia, mesmo naquela época, necessidade nem vontade de ser empregado novamente. Queria ter minha liberdade financeira e de escolhas. Eu teria clientes, não patrões. Teria responsabilidades, não tarefas. E não demorou muito, eu e meu amigo de todos os momentos, meu irmão de outra mãe, Robson Costa, nos organizamos para alugarmos o nosso primeiro escritório na cidade, bem no centro histórico de Braga!

Nosso primeiro escritório! Nosso primeiro escritório! Nosso primeiro escritório! Nosso primeiro escritório! Nosso primeiro escritório! Nosso primeiro escritório!

Alguns meses depois nós faríamos a transição para um melhor, uma sala com a "marca" Regus. No auge das nossas carreiras, e quando estávamos o mais confortáveis de sempre... nosso ÚNICO cliente resolve fechar as portas. Perdemos o contrato com a empresa que contratava nossos serviços e teríamos que tomar uma decisão: voltar ao mercado de trabalho ou continuar a tentar arranjar outro contrato. Mas isso já era fim de 2019...

É na crise que se aprende

Novo foco

Quase dez anos a trabalhar para o mesmo cliente te deixa mole. Você não tem razões para sair da zona de conforto. Afinal, o sistema não vai mudar o tech stack assim, da noite para o dia, e você não vê motivos para estudar, se atualizar. Infelizmente para mim, eu escolhi uma área que é particularmente cruel com quem não se atualiza, pois as coisas em Tecnologia da Informação mudam à velocidade mach 5!

Eu cheguei num mercado totalmente novo, mudado, com novas ferramentas, novos frameworks, novas tecnologias... e novas caras. Com 42 anos, competir com a "garotada" nestas condições era simplesmente impossível. Resolvi estudar tudo o que podia.

E entre um destes assunto estava o Unity, uma game engine já bastante popular e de fácil aprendizado. Resolvi começar a estudar a ferramenta.

Comecei praticando técnicas, tentando entender o ambiente do Unity, seus pacotes e funcionalidades. Fiz meu primeiro "jogo"... bem, "jogo" é modo de dizer, era apenas um protótipo onde era possível mover um jogador pela tela. Para mim, era magia! EU tinha feito aquilo! "Agora é só melhorar e temos um jogo!". Pois é, eu era MUITO ingênuo...

Hoje, seis longos anos depois do início da maior crise da minha carreira (e incidentemente da minha vida), posso olhar para trás e ver que valeu a pena o esforço e os estudos. Insisti em permanecer trabalhando por contratos e, não só consegui vários contratos infinitamente melhores do que aquele, mas também multipliquei várias vezes minha experiência e conhecimentos. Nunca mais deixei de estudar e me atualizar, e o Unity fez parte desta trajetória. Agora só faltava estudar mais especificamente o desenvolvimento de jogos.

Natal em Dublin, Irlanda

Um novo (re)começo

Luci surgiu no momento certo da minha carreira. Um momento em que a minha experiência com as ferramentas necessárias para se fazer um jogo já é boa, só faltava mesmo um projeto que me desse a experiência REAL de se criar um jogo. Um projeto que teria início, meio e fim.

O projeto surgiu de uma conversa com a Qualificar, uma empresa do sul do Brasil especializada em consultoria de Liderança e treinamento. O objetivo deles era criar um aplicativo móvel com as personagens da Turma da Luz, que faz livros que ensinam pais, professores e crianças sobre emoções e como melhor lidar com elas. É um tipo de coaching específico para este propósito, e o projeto tem ajudado milhares de famílias no Brasil a lidarem com perdas e situações de tragédia. Vale a pena conhecer o projeto deles, portanto estou incluindo aqui a Apresentação da Turma da Luz.

Depois de conhecer mais de perto o projeto, fiquei encantado! Propuz à empresa que fizesse um jogo no lugar de um aplicativo. Era minha chance de começar um projeto REAL no mundo do desenvolvimento de jogos. E após pequenos acertos com a empresa, dei início ao desenvolvimento do jogo em Abril de 2025.

Título do jogo

Criando Luci

Comecei com algumas ideias e imagens geradas por IA. O projeto começou como um "pixel-art top-down" 2D, no estilo dos jogos dos anos 80, e evoluiu até o que é hoje, um mundo totalmente 3D com efeitos gráficos de ponta e arte única. A história também é bem interessante já que vem de um material incrível fornecido pela contratante. Porém, o enredo do jogo eu tinha que criar eu mesmo... o "início, meio e fim" de que tanto falo ainda não havia sido escrito. E assim cheguei ao meu próximo desafio: GAME DESIGN.

Estudando mais!

Comprei vários livros sobre desenvolvimento e desenho de jogos, livros sobre programação em OpenGL, C++ e em cima disso tudo ainda assisti (e assisto) horas e horas de tutoriais e explicações de game developers do mundo inteiro. "Indie" ou não! O nosso mais recente projeto, por exemplo, Realms of Karynthia, é reflexo exatamente da experiência compartilhada pelos desenvolvedores do Tibia, entre outros títulos relevantes neste mercado.

Armado de conhecimento, e agora também de alguma experiência em inúmeras áreas ligadas ao desenvolvimento de jogos, dei início ao projeto.

Criando os assets de Luci - Estátua de 'O Sábio' Criando os assets de Luci - Folha gigante Criando os assets de Luci - Coletáveis Criando os assets de Luci - O 'background' do menu Criando os assets de Luci - Giorgio Criando os assets de Luci - Cogumelos vermelhos

As imagens são todas de IA, já que não tenho acesso a um(a) artista. É o ônus de trabalhar sozinho; eu posso ser um ótimo game dev... mas não tenho o talento de um bom artista gráfico para criar estes desenhos. Não sou contra o uso destas ferramentas, mas há alguns puristas - tanto do lado dos desenvolvedores quanto do lado do jogadores - que acham que imagens de IA não podem ser consideradas "arte". Tenho minha opinião sobre o assunto, claro, mas deixo a polêmica para posts de Facebook e Instagram... 🤣

O progresso do projeto - Início no Godot, em 2D O progresso do projeto - Criando o mapa O progresso do projeto - Mudança para o Unity 3D O progresso do projeto - Criando os caminhos O progresso do projeto - Trabalhando as interações

Para onde vamos

Este vídeo foi gravado em Maio de 2025 e foi um marco importante para o desenvolvimento do jogo. Agora faz parte da história da criação deste jogo para sempre!

Finalmente Mocho Indie Studio

Este projeto não caiu no meu colo. Não veio até mim à toa. Eu o persegui. Eu o quis. Estou curtindo cada momento do desenvolvimento deste projeto - os bons e os ruins, pois nem tudo são flores! E cada momento que passo com um de nossos projetos aberto eu aprendo ainda mais, ganho ainda mais experiência.

Abrir o estúdio não foi apenas consequência de iniciar o jogo da Luci. O estúdio não se chama "Lucy Lovelight Studio". Justamente ao contrário, o jogo só foi possível porque eu resolvi abrir este estúdio! Porque a ideia já estava lá, a vontade já estava lá. Porque está na hora de evoluir (de novo). Está na hora de deixar, de novo, o conforto do contrato permanente com o cliente - afinal, não posso trabalhar para sempre! Em algum momento vou precisar parar e descansar. Deixar na mão dos mais novos os desafios do mundo moderno.

Luci e Mocho Indie Studio estão, por hora, a andar de mão dadas. Somos, por hora, o anfitrião desta personagem linda e encantadora. Mas como todo jogo, essa relação tem início, meio e fim.

Vou publicar o jogo nas plataformas mais conhecidas pelos jogadores, e participarei da propaganda do jogo. Dedicarei todos os esforços para entregar este projeto e cumprir meu papel de game dev profissional. E assim terminarei este ciclo... mas não paro por aí! Outros projetos virão, outros desafios, diferentes em tamanho e complexidade.

Mas vou tranquilo atrás destes outros projetos e desafios! Vou na certeza de que, um dia, um destes projetos vai me dar o que procuro: minha liberdade! Sei que conto com o apoio dos meus amigos e da minha família nesta nova jornada. E para todos que se juntaram a mim nessa nova empreitada, NÓS somos Mocho!

Nós somos Mocho

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